



[About Me ]
Nome: Van
Quem sou: Uma garota que vive vijando na maionese, mas séria (rss). E que gosta de curtir a vida. Sou um poko sonhadora, mas e daí?! Gosto de estar com os amigos, de desenhar e escrever histórias (de vez em quando).
Onde mora: São Paulo.
Livros: Harry Potter, Senhor dos Anéis, Agatha Christie e Dan Brown.
Filmes: Encontro Marcado, Shrek, Harry Potter, Senhor dos Anéis, Star Wars, Homem-Aranha e vários dos filmes de ação, aventura e comédia.
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[ Site By ]Van

06/07/2006 16:58
Johnny
Johnny mora em Guarulhos, com sua mãe e irmã. O pai abandonou a família quando o garoto tinha apenas 7 anos de idade. Sua mãe tinha que trabalhar todos os dias para sustentar a casa. Então, ele era quem cuidava de sua irmã mais nova, Ana Catarina, ou Anne Catherine, como todos a chamavam.
Aos 15, começou a trabalhar como empacotador num supermercado perto de sua casa, para ajudar a mãe nas despesas da casa, e o dinheiro que sobrava, ele economizava para ir nas baladas com seus amigos, Leozinho DiCaprio, ou apenas Zinho (Leonardo), Totonho ou Da Lua (Antonio), Japa (Kim) e China (Xian).
Ah, o nome que consta em sua certidão de nascimento é João Paulo Pinhares da Silva, mas todos o conheciam como Johnny, tanto é que, muitas vezes nos trabalhos e provas em grupo na escola, seus colegas perguntavam quando iam colocar seu nome na folha: "É Johnny do que?" E ele sempre respondia: "Não, meu nome de verdade é João Paulo". Quando o chamam de João, ele não dá a mínima. Nunca ninguém o chama pelo nome, nem mesmo a mãe.
Johnny é louco por corridas de carros. Sonha em um dia ser piloto. Mas suas condições financeiras não permitem. Também adora desenhar e grafitar. Com seus amigos, montou uma equipe chamada Studio Guará, de grafitagem e HQs, e fazem muito sucesso nos bairros vizinhos ao dele.
- Johnny, tira o carro da garagem pra mim, por favor. Estou atrasada! era o que sua mãe dizia todos os dias de manhã.
- E o que ganho com isso? era o que sempre respondia a ela.
- Já te disse que quando você completar 18 anos eu te dou o nosso Fusca e compro outro carro pra mim.
O garoto adorava aquele Fusquinha azul escuro. Talvez porque o carro ter sido fabricado no mesmo ano de nascimento dele 1978. E fazia o que a mãe pedia com muito prazer.
- Mãe, Sábado o Zinho, o Totonho, o China, o Japa e eu vamos no Kart in door!
- Eu também vou informou Anne ao irmão. O Leozinho me chamou.
- Tá, podem ir.
- Empresta o carro?
- Nem pensar!
- Por que?
- Porque você ainda nem fez 16! Não pode sair por aí dirigindo carros! No kart tudo bem, mas na rua?! zangou-se a mãe.
- Então, por que a senhora me deixa ir até a padaria ou ao mercado de Fusca?
- Porque são no máximo quatro quarteirões, e não tem nenhuma avenida movimentada no meio do caminho.
- Mas,...
- Sem mas nem menos!
Com o passar do tempo dona Zumira foi amolecendo e permitindo que seu filho fosse cada vez mais longe com o carro, além de estender o horário de voltar das baladas.
Certo fim de semana, Johnny ficou sozinho em casa. Ele aproveitou o bonito dia que fazia para empinar pipa na rua. De repente, uma pipa cai e se prende nos fios de telefone na sua rua. Como todos os garotos, Johnny corre com uma pedrinha amarrada numa linha para tira-la dos fios. Para seu azar, acaba acertando o pára-brisa de um carro estacionado na rua. Não era um carro qualquer. Era um BMW zero quilometro. Para piorar tudo, o dono acabara de sair de uma das casas e presenciou a cena toda.
- Você sabe quanto custa um pára-brisa de BMW, garoto?- disse o dono, puto da vida com Johnny.
- Não, senhor.
- $$$$$$$$$$$$$$$. Quero esse dinheiro até Segunda-Feira, entendeu, moleque?
- Mas não tenho essa grana toda!
- Não me importa. Você tem até segunda pra me dar a grana.
- Mas,...
Mas já não adiantava mais dizer alguma coisa, porque o cara já tinha voltado para a casa.
- Onde e como vou arranjar essa grana toda?- perguntou-se o garoto.
- Você dirige? perguntou um rapaz ao lado de Johnny.
- Sei sim. Por que?
- Se você for bom mesmo, pode ganhar uma grana preta numa única noite. Tem interesse?
- Claro. Conheço esse sujeito. Se eu não o pagar, ele me mata. Que devo fazer.
- Esteja neste endereço hoje à meia-noite, com seu carro. Fale com o Sargento. Pode levar alguns amigos, se quiser ele entregou um papel com o endereço ao Johnny e foi embora.
Então, Johnny seus quatro amigos que não questionaram o amigo e foram para o tal lugar.
Chegando no local, uma grande avenida, que naquele horário deveria estar deserta, mas estava cheio de gente jovens, principalmente e de carros parados no meio da rua.
- Quem é o tal Sargento? perguntou ao um grupo de jovens que se admiraram ao ver os de menor. Todos apontaram para um sujeito alto, forte, moreno, no alto de uma escadaria de um prédio.
- Esse é o tal moleque que você falou, Boca? perguntou o Sargento quando viu Johnny e seus amigos.
- Esse mesmo. O pivete vacilou e agora tá precisando de uma grana alta.
- Qual é o teu nome, moleque? perguntou o Sargento.
- Johnny.
- Do que?
- Seccotto disse depois de pensar um pouco e se lembrar de que certa vez viu na TV um piloto com este nome.
- Bom, senhor Johnny Seccotto, aqui só corre a nata de Pega guarulhense. As apostas aqui são altas. No mínimo R$100,00. Se ganhar, leva 90% da bolada. Mas como foi o meu grande amigo, Boca, quem lhe indicou, faço um desconto, pra vocês é cinquentinha.
- Ele não me falou nada de que precisava ter grana. Aliás, não falou nem do que se tratava aqui.
- Coisa feia, Boca... Sem grana, não pode disputar! e Sargento deu as costas para o garoto.
Johnny explicou a situação aos amigos e, por sorte, cada um tinha dez reais no bolso.
- Hei, Sargento, tenho os R$50 que precisava.
- Agora, sim podemos voltar a falar! disse ele passando a mão no dinheiro. Cadê seu carro?
- É aquele azulzinho estacionado ali no posto.
- O QUE? O FUSCA?.... AÍ PESSOAL, O PIVETE QUER DISPUTAR A CORRDA COM UM FUSCA!! gritou o Sargento para todos ouvirem e darem risadas. Está bem, garoto, pode correr com o Fusquinha, mas se perder a corrida, não me responsabilizo nem devolvo o dinheiro, certo?
- Certo! e virando-se para seus amigos perguntou: vocês tão comigo?
- Viemos até aqui, certo disse Zinho tamo com você até onde você for! os outros concordaram com Zinho.
- TODOS APOSTOS!- gritou uma garota de cabelos azuis. O PERCURSO VAI ATÉ A ENTRADA DA AVENIDA DO AEROPORTO E TERMINA AQUI!!!
Todos entraram em seus carros. Partiram quando a garota do cabelo azul acenou com a mão.
Johnny sabia que o que fazia era errado, que ele era menor de idade, que não poderia estar dirigindo, muito menos num pega, que poderia ser preso e que sua mãe nunca mais poderia lhe emprestar o carro de novo. Mesmo sabendo de tudo isso ele saiu com os outros carros em direção ao aeroporto. Saiu em último lugar, mas foi encontrando uma brecha aqui, outra ali, outra acolá e, quando deu por si, já estava em segundo lugar, atrás do carro de Sargento, o melhor piloto daquele pega e Boca, o co-piloto.
Preciso ganhar de qualquer jeito- pensou Johnny.
No rádio, que estava ligado desde a partida, estava tocando Legião Urbana, a banda predileta dos garotos. No final da música, Zinho, Totonho, China e Japa, começaram a cantar: Vai, vai, vai Johnny ao invés do Bye, bye, bye Johnny que diz na letra. Não é que deu certo! O fusquinha passou na frente do Santana da dupla Sargento/Boca dois metros antes da linha de chegada.
João Paulo conseguiu o dinheiro que precisava e mais um pouco. Também soube que o tal Sargento se chama assim por ser sargento da polícia militar e, ficando amigo dele, não teria problemas com a polícia. Então continuou freqüentando o pega da cidade por muito tempo, e ganhando muitas e muitas vezes, até se tornar uma lenda. O lendário Johnny Seccotto, Aquele que não sabe perder.
Dezesseis - Legião Urbana
João Roberto era o maioral
O nosso Johnny era um cara legal
Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul
E em todo lugar
Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas
E quem mais quisesse ter
Sabia tudo da Janis
Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones
Mas de uns tempos prá cá
Meio que sem querer
Alguma coisa aconteceu
Johnny andava meio quieto demais
Só que quase ninguém percebeu
Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim de semana
Não vai ser no CASEB
Nem no Lago Norte, nem na UnB
As máquinas prontas
Um ronco de motor
A cidade inteira se movimentou
E Johnny disse:
"- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho e vocês ?"
E os motores sairam ligados a mil
Prá estrada da morte o maior pega que existiu
Só deu para ouvir, foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão
No dia seguinte, falou o diretor:
"- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis.
Que isso sirva de aviso prá vocês".
E na saída da aula, foi estranho e bonito
Todo o mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever
E até hoje, quem se lembra
Diz que não foi o caminhão
Nem a curva fatal
E nem a explosão
Johnny era fera demais
Prá vacilar assim
E o que dizem que foi tudo
Por causa de um coração partido
Um coração
Bye, bye bye Johnny
Johnny, bye, bye
Bye, bye Johnny.

®Alguns Direitos Reservados.
enviada por Van
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